Apesar das questões genéticas serem umas das causas da obesidade infantil, alguns estudiosos do campo da Psicossomática refletem sobre o papel do estresse pré-natal no aumento do risco de obesidade na infância.
"A gente não quer só comer. A gente quer prazer pra aliviar a dor.." (Titãs)
A prevalência da obesidade infantil vem sendo considerada uma epidemia mundial, sendo um grave problema de saúde pública de origem multifatorial, mas com uma forte associação ao estilo de vida e hábitos comportamentais promovidos por uma cultura de consumo exacerbado, alimentação fast-food e sedentarismo.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde(OMS), estima-se que cerca de 42 milhões de crianças abaixo dos cinco anos de idade estão obesas no mundo. No Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 30% das crianças estão acima do peso e 15% já são consideradas obesas.
Para a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), a mudança de comportamento é uma das formas mais importantes para a construção de uma saúde melhor, reduzindo doenças, incapacidades e morte prematura ao longa da vida. As estratégias preventivas baseadas na modificação do estilo de vida, através de intervenções psicossociais, cientificamente embasadas, podem controlar a expansão das doenças crônico-degenerativas, das doenças relacionadas ao estilo de vida e á saude mental, lesões e violência. Ainda segundo a OPAS, o desenvolvimento infantil é um momento critico para as intervenções educacionais e de saúde.
De acordo com o grupo de trabalho para os fatores psicológicos afetando condições médicas da Associação Americana de Psiquiatria, o problema mente-corpo ainda é uma questão mais desafiantes para as ciências comportamentais e da saúde. embasadas em um ultrapassado modelo dualista. É primordial o desenvolvimento de um modelo biopsicossocial e salutogênico, que possa abarcar uma visão de saúde integrativa e mais humanizada.
A prevalência da obesidade infantil vem sendo considerada uma epidemia mundial, sendo um grave problema de saúde pública.
Apesar das questões genéticas serem umas das causas da obesidade infantil, alguns estudiosos do campo da psicossomática refletem sobre o papel do estresse pré-natal no aumento do risco da obesidade na infância.
Importante ressaltar que os sintomas do estresse infantil podem ser diferentes dos observados em adolescentes e adultos.
" Você tem fome do quê?..." é uma das formas de refletir sobre quais necessidades reais estão deficitárias no ambiente fisico e emocional em que se desenvolvem as crianças, podendo gerar um comportamento alimentar inadequado, com o aumento do risco de sobrepeso e obesidade infantil.
Enquanto o impacto psicológico na obesidade infantil vem sendo objeto de estudo das ciências médicas e do comportamento humano, é fundamental refletir sobre a constatação crescente do aumento da obesidade nas crianças. O alimento que deveria nutrir e capacitar a criança para uma vida plena e saudável acaba adoecendo o corpo, a mente e as emoções. O perigo de associarmos brinquedos e heróis ás marcas de fast-food é iludir as crianças, que consomem mais do que alimentos, mas mas valores culturais questionáveis e incertos. Talvez o sucesso dos alimentos exageradamente intensos no sabor seja apenas uma substituição comportamental de segunda linha, para a falta de tempo e dedicação afetiva dos pais cansados pelas longas jornadas de trabalho, cronicamente estressados, e também vítimas de uma sociedade que alimenta frustrações e expectativas ilusórias.
No futuro, talvez os pais devam perguntar:
- Filho, você tem fome de quê?
Fonte: Revista Psique - (Armando Ribeiro das Neves Neto)
Psicóloga Rafaela A. Pedot
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